Instituto de Psicologia

Milton H. Erickson

Aprendizagem e crescimento.

Juiz de Fora

 

 

Entre o Ruído do Mundo e o Silêncio da Essência, instala-se a desconfiguração!

Suzana Maria de Paula Mendonça.

Abril/2026

Está se tornando comum, passar pelas pessoas e perceber que estão... estão desconfiguradas. Elas atualmente, parecem máquinas que perderam o manual de fábrica, mas são de alta e complexa tecnologia. Andam pelas ruas como sistemas operacionais corrompidos, tentando funcionar apesar dos erros internos. Partes espalhadas e desconectadas como se estivessem em pequenos e diários curtos-circuitos. Os olhos brilham como telas acesas, mas por dentro há códigos quebrados, linhas incompletas, números faltando. Excesso de luzes. Falam muito, mas as palavras soam como notificações vazias que ninguém realmente lê ou o sistema não reconhece os caracteres, aí ouve sonoras frases “não sei como posso ajudar” ... Vivem 24 horas conectadas, mas a conexão é fraca, instável, o sinal é ruim e quase ilusório o que se vê, ouve ou se conecta. É como se o Wi-Fi da alma estivesse sempre oscilando, fraco ou sobrecarregado e desconectado de algo maior, invisível e essencial. Buscam sentido em atualizações constantes, sem perceber que o problema não é a versão, mas a essência espiritual esquecida. O corpo físico, cansado, carrega o peso de rotinas repetitivas, como engrenagens enferrujadas que já não descansam e operam com dificuldade. A mente acelera, produz em megabytes, mas o coração emocional trava, se torna incapaz de processar o excesso de estímulos e as muitas conexões, ao mesmo tempo, várias janelas abertas e programas pesados rodando concomitante. Há corações rodando em modo automático, com starts repetindo padrões como algoritmos cansados, lutando por mais curtidas, em pequenos espaços de stand-by. Sentimentos são comprimidos, simplificados, reduzidos a emojis de fácil envio, joinhas e palmas. E, assim, a profundidade vai sendo arquivada em pastas esquecidas da alma. Enquanto isso, a natureza perfeita em seu ritmo, digitam as várias estações, continua pulsando lá fora, ignorada, como um sistema puro, que ainda funciona em harmonia, mas é vista como uma velha e antiga versão. As pessoas estão desconfiguradas, não por falta de capacidade, conteúdo internos, habilidades, qualidades, mas por excesso de interferência e de informações. Ruídos externos invadem o sistema, confundem prioridades e distorcem verdades. Sinais, lembretes ativados, necessidade de seguidores que nem de longe se conhecem, são chamados e respondidos como se amigos fossem. E no meio de tanta informação, perdem o acesso ao próprio núcleo, se esquecem em que sintonia vibram, de onde vieram ou para onde querem ir. Esquecem senhas importantes: quem são, o que sentem, em que acreditam, o que é próprio de si mesmo. Desligam-se do espírito, desconectam-se do corpo, silenciam as emoções e ocupam a mente com pensamentos acelerados e repetitivos. Talvez o conserto não esteja em reiniciar o mundo, em deletar arquivos, apagar pastas, passar o melhor e mais completo antivírus, mas em reaprender com o vento, com o silêncio das árvores, com o ritmo da terra, a fluidez da água, o perfume das flores e o suave calor sol após o brilho das estrelas no escuro da noite e a luz vibrante da lua em todas as suas fases. Pode ser útil, pausar ou desligar por um instante, respirar fora da rede, sentir o próprio corpo e escutar a própria alma. E, com calma, reconfigurar a si mesmo de dentro para fora. Restaurar os programas que já fazem parte do pacote, recarregar a bateria, sincronizar arquivos, sair das nuvens e, com segurança, armazenar a realidade e voltar a si na sub essência, onde mora cada um, mesmo reconhecendo, se encontrando e atualizando, às vezes, até mesmo no HD externo, seguindo se apresentando e compartilhando experiências e conhecimento, de si mesmo primeiro, depois do entorno.

 

 

 

MUDANÇA DE LUA!

Suzana Maria de Paula Mendonça

Fevereiro/2026

 

O céu não estava tão visível, a brisa bailava suave e refrescante, estava claro que a lua brilhava e se impunha. Afinal, era noite de lua cheia. Não se trata de um grande fenômeno e sim de uma experiência individual. E, diante disso, cada um sente, enxerga e representa mentalmente como for mais fácil ou melhor para si mesmo. Interessante quando pensa em experiência, para cada um, uma ideia ou um sentimento ou um símbolo, estão ligadas as experiências pessoais. E o fato é que a lua mudou de lugar muito rápido, apareceu totalmente cheia e vibrante, pulsava em câmera lenta, iluminada como nunca visto. Sim, talvez faltou mais atenção no passado. O céu azulou de outro tom e as nuvens se abriram como se quisessem dar lugar a majestosa lua. Tudo em rápidos movimentos, como se precisasse ser assim. E parecia que ninguém estava assistindo ao espetáculo. Pode ser que neste exato momento, só se via o céu, a lua, as nuvens e este atraente episódio que por si só, roubava a total atenção. Muitos pensamentos, muitas sensações e muitas mudanças deles. Mas, diante do quadro acima descrito, foi uma experiência como da gratidão. Gratidão por ver o céu mudar para um tom mais claro, menos nuvens e mais azul e a lua em seu poder. Sentir a comunicação com o universo, sentir a unicidade entre ser humano mais forte, mais capaz, mais corajoso e mais perto de algo mais elevado e de maior energia. E, com a possibilidade de manter a lembrança despertada, como representação divina, como ponte, como unidade de comunicação com a natureza e com tudo que ocorre em cada etapa dela. Não retiro a possibilidade de uma grande influência por tantas mensagens e orientações que as redes sociais deflagram, leituras, conversas. O que importa é a sensação que fica, a leveza que flui, o somatório das emoções e no momento, amplia, perdura. Quem sabe por tempo limitado, talvez indeterminado. Tão forte e tão profundo que ao se recordar na mente, estimula o corpo a voltar a sentir.  Sentir o amore a sabedoria universal. A conexão perfeita com um campo onde se capta o que tem mais, verdadeiro, puro e diferente para o corpo, mente e alma.

O mais importante é aprender com as experiências, ampliá-las e compartilhar para ser um bom estimulo. Mas, na verdade, precisa sim ser sentida ou vivenciada, como queira, mas queira, entregue-se, permita-se para que a vida seja mais verdadeira, mais significativa e poder se inspirar a cada dia.   Cabe a cada um selecionar e escolher como quer se informar, como quer ritualizar e como quer estar em momentos previstos ou se deixar levar nos imprevistos e se maravilhar. O fato, é que ao olhar para o céu e buscar a melhor forma de conversar com o universo, pode vivenciar o que pode ser chamado de a grande experiência. Entender a unidade com o criador e a excelência da sabedoria universal que habita em cada ser humano. Utilizar de todas estas mudanças para saber como se relacionar com tudo isso de forma produtiva, proveitosa, positiva e vibrante! Elevar a alma, despertar a consciência e sentir no corpo a grandeza desta experiência. Afinal, as luas estão aí e continuam mudando, embelezando diariamente e prontas para conectar com quem desejar evoluir.

 

O TAPETE AMARELO

Suzana Maria de Paula Mendonça

Novembro/2025

Foi em uma manhã de um domingo qualquer. Digo qualquer, por não estar se comemorando nada, de especial.  Pelo menos, que eu soubesse. Na primavera, as flores se despencam e as folhas caem com o vento. É normal espalharem pétalas, folhas, flores inteiras, principalmente, em dias de muito vento. E foi neste cenário que vi e ouvi as diferentes formas de enxergar os fatos, as situações, os momentos e a vida.  Além de lembranças que são ouvidas, vistas e sentidas, de acordo com estado de cada pessoa, que percebe e acata como quem compartilha da ideia ou desejos.

Ao caminhar pela calçada, sentindo o forte vento em meu corpo e um aroma fresco de plantas molhadas e mirando um lindo tapete de flores amarelas no chão, em especial na calçada por onde os transeuntes passavam.

À minha frente, seguiam duas pessoas. Elas eram mais ou menos da mesma idade, quase avançada. Assim me pareciam. Uma diz com grande alegria: “Hum! Que lindo tapete de flores para mim.”   A outra diz: “concordo com a gari que ouvimos naquele dia. Ela estava dizendo ao porteiro do prédio, que estava rezando, para acabar logo essas flores e pararem de sujar o chão. E eu não vejo como um tapete, vejo como uma grande sujeira e de perigos, porque podem fazer as pessoas escorregarem e caírem.”  A primeira pessoa dá risadas, a segunda suspira. Eu atrás, me divirto e faço parte das pessoas que agradecem e se acham privilegiadas, por caminharem num lindo tapete de flores. E sigo grata, feliz e me convencendo de que foi para mim. Não nego que algumas espécies podem ser escorregadias, mas nem assim retiram o mérito de estarem embelezando as ruas e as calçadas. Entendendo que, gostando ou não, querendo ou não, podendo ou não, as estações demarcam seus territórios e suas temporadas, com tudo que elas têm como recursos e potenciais. E já que o ocorrido foi numa bela manhã de primavera, porque não desfrutar?

 

 

 

 

 

 

 

Indicação de leitura:

 

Livro:

Brincando de Deus para falar com Deus

Autor:

M. A Lucano